Segundo o folclore indígena, uma tribo Tupi que vivia onde hoje é Belém do Pará enfrentava uma grave escassez de alimentos. Em meio à crise, o cacique Itaki ordenou que todos os bebês nascidos fossem sacrificados para conter o crescimento da população. Mesmo sua neta, filha da filha Iaçã, não foi poupada.
Desolada, Iaçã clamou a Tupã, deus do trovão, por uma solução. Certa noite, ela ouviu o choro de uma criança na floresta, seguiu até uma palmeira, encontrou seu bebê que rapidamente desapareceu. No amanhecer, foi encontrada morta aos pés da mesma árvore, com expressão serena. Seus olhos estavam voltados para os frutos escuros acima.
A palmeira estava carregada de bagas negras que revelaram um suco espesso e nutritivo. Entendendo o presente que Tupã lhes oferecia, o cacique suspendeu os sacrifícios e batizou o fruto como “açaí”, uma homenagem a Iaçã, invertendo o nome dela na língua tupi-guarani, que significa “fruta que chora” ou “fruta que expele água”
O açaí (Euterpe oleracea) é consumido há séculos por povos indígenas e ribeirinhos da Amazônia como alimento básico. Frequentemente consumido como suco espesso ou pirão salgado com farinha e peixe, era parte central da refeição diária: “sem açaí, a gente ainda fica com fome” era um mantra comum entre os ribeirinhos da região.
Até os anos 1980, seu consumo era restrito ao Norte, especialmente no Pará. A partir da década seguinte, com a valorização por alimentos mais saudáveis, o fruto começou a aparecer em Rio de Janeiro, São Paulo e outras regiões, frequentemente no formato de açaí na tigela com granola, banana e guaraná, no estilo beach‑bar.
Em torno de 2000, empreendedores brasileiros começaram a exportar açaí congelado para os EUA. Em pouco tempo, ele se tornou um “superfruit”, promovido por celebridades como Oprah e médicos especializados. Surgiram marcas como Sambazon, que associavam açaí à energia, antioxidantes e alimentação fit, embora algumas práticas de marketing tenham sido contestadas por exageros nas promessas de saúde.
Hoje, mais de 95 % do açaí consumido no mundo vem do Pará, o Brasil produz mais de 1 milhão de toneladas por ano, e sua exportação cresceu exponencialmente, especialmente nos EUA, Japão, Europa e Austrália